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Poema

Luís Vaz de Camões - A Morte, que da Vida o no Desata

A Morte, que da vida o nó desata, 
Os nós, que dá o Amor, cortar quisera 
Com a ausência, que é sobre ele espada fera, 
E com o tempo, que tudo desbarata. 


Luís Vaz de Camões - A Morte, que da Vida o no Desata - Poema

A Morte, que da vida o nó desata, 
Os nós, que dá o Amor, cortar quisera 
Com a ausência, que é sobre ele espada fera, 
E com o tempo, que tudo desbarata. 

Duas contrárias, que uma a outra mata, 
A Morte contra o Amor junta e altera; 
Uma é Razão contra a Fortuna austera, 
Outra, contra a Razão, Fortuna ingrata. 

Mas mostre a sua imperial potência 
A Morte em apartar de um corpo a alma, 
O Amor num corpo duas almas una; 

Para que assim triunfante leve a palma 
Da Morte Amor a grão pesar da ausência, 




Do Tempo, da Razão e da Fortuna. 



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